"Writing is a socially acceptable form of schizophrenia."
(E.L. Doctorow
)

"Words - so innocent and powerless as they are, as standing in a dictionary, how potent for good and evil they become in the hands of one who knows how to combine them."
(Nathaniel Hawthorne
)

terça-feira, 10 de setembro de 2013

A Silly-Season das Autárquicas



É impossível escapar. Um alien podia aterrar em qualquer parte de Portugal e percebia logo que estavamos em ano de Autárquicas. Imaginem aquela praga de mosquitos que afectou o Algarve este Verão ... é basicamente o mesmo. 

Mas atenção, nem tudo é negativo. Há toda uma máquina de originalidade que parece que se instala neste momento, e para onde quer que olhemos ficamos espantados, as vezes até rendidos a essa mesma originalidade. Convido-o assim, leitor deste espaço, a vir comigo e explorar este bonito mundo da propaganda política do nosso belo Portugal, mas aperte o cinto, que o blog não tem seguro contra politiquices.

Vamos começar pelos nomes.
Quem nunca sonhou que o Presidente da sua Junta se chamasse Carlos Tenreiro? Ou Zé Paleco? Ou Joni Ledo? Ou até mesmo a classe de saber que o seu presidente se chama Décio Fava? Ou a simplicidade do sr. Paulo Cafôfo?
Mas ainda existem aqueles nomes que apelam à alimentação das pessoas, como Arnaldo Tasca (em homenagem a quem frequenta tal estabelcimento), Pedro da Vinha Costa (para quem aprecia o ramo da vinicultura) e para um bom petisto tem sempre o candidato Wilson Chicharro ...
 
Passemos aos slogans de campanha, um poço de virtuosidade.
Aqui a mensagem é passada de várias maneiras, desde um simples “o nosso futuro é viver o presente” até a um arriscado “E porque não ...”. Mas há candidatos que têm mensagens fortes como por exemplo “Connosco uma palhada de futuro” e outros que até desafiam a Matemática com um “connosco 1+1=1”.
Seria injusto deixar outras duas mensagens de cartaz que achei interessantes. A primeira é “por uma branca diferente” (porque há eleitores como Maradona que têm de ser agradados) e ainda alguem que terá “um compromisso para 365 dias” ... o que é muito giro, mas tendo em conta que o mandato ainda vai ter mais 1095 dias parece-me pouco trabalho.

Seria inglório antes de terminar não mencionar duas ferramentas importantíssimas para o trabalho destes candidatos que tanto se esforçam para merecer os votos: Photoshop e Paint.
As ‘skills’ no manuseamento destes dois programas (ou a falta delas) fazem com que possamos olhar para os cartazes e perceber que há pessoas que faltaram à foto de família, que há outros que conseguem levitar, candidatos que parece que vieram de um casamento (e outros de uma almoçarada com os amigos) ... Obrigado a todos os  especialistas que criaram os cartazes, tornaram as Autárquicas em algo mais especial.

E eis que acaba a viagem. Não foi giro e elucidativo? Pois, eu sei que não, mas também ninguém disse que as Autárquicas tinham esse fim ... Mas não se preocupem, se estiverem aborrecidos tirem o dia para ir ver os cartazes, decerto que depois disto que leram haja algum candidato que seja “normal”.


PS: Um agradecimento à página do Facebook “Tesourinhos das Autárquicas 2013” pela colaboração que teve para comigo na criação desta crónica. Muito obrigado.

1 comentários:

α ♥ disse...
Este comentário foi removido por um administrador do blogue.

Enviar um comentário