"Writing is a socially acceptable form of schizophrenia."
(E.L. Doctorow
)

"Words - so innocent and powerless as they are, as standing in a dictionary, how potent for good and evil they become in the hands of one who knows how to combine them."
(Nathaniel Hawthorne
)

sábado, 27 de abril de 2019

O VOX de Espanha: mais um caso de sucesso da Extrema-Direita?


Em pleno fim-de-semana de eleições gerais na Espanha, é chegada a hora de conhecer melhor o Vox, um partido de Extrema-Direita fundado há meia dúzia de anos e que não pára de ganhar espaço no país vizinho.
Começemos pelo início. O Vox foi fundado em 2013 por Santiago Abascal, então ex-militante do Partido Popular (PP), cuja camisola vestiu durante cerca de catorze anos. Através desta brevíssima introdução podemos já ver que, ao contrário do que tem vindo a acontecer noutros países, este partido espanhol não é liderado por um candidato “anti-sistema”, mas sim, por um indivíduo fruto do próprio sistema político, uma vez que não só militou por um partido político, como também, exerceu já cargos políticos no país.
Contudo, as semelhanças com outros líderes da Direita radical tornam-se, desde logo, evidentes quando ouvimos soundbites como “os espanhóis primeiro” ou “juntos faremos Espanha grande de novo”, entre outros lançados num comício em Madrid em outubro do ano passado, o qual reuniu cerca de 9000 pessoas.
Aproveitando a onda populista anti-imigração que tem emergido na Europa, o Vox propõe, entre outras coisas, expulsar imigrantes em situação irregular, revogar a lei contra a violência de género, instaurar a prisão perpétua, eliminar a lei de memória histórica (a qual inclui medidas a favor das vítimas do franquismo) e proibir o aborto, a juntar à mensagem nacionalista e xenófoba do partido.
Também como outros candidatos europeus da ala direita, ao longo da campanha eleitoral, o Vox tem previligiado o contacto com o eleitorado através das redes sociais ao contacto veinculado pelos mass media. Procurando descredibilizar estes últimos.
Entenda-se que o "sucesso" a que me refiro no título do artigo pode não significar, em sentido lato, a eleição do partido no próximo Domingo, mas antes, o simples facto de este obter uma percentagem de votos significativamente superior à da eleição anterior ou até a possibilidade de formar governo em coligação.
Nas últimas eleições gerais, em 2016, o partido havia apenas obtido 47000 votos. Em finais de 2018, uma sondagem do CIS (Centro de Investigaciones Sociológicas) atribuía ao partido uma intenção de voto de apenas 1,4%. Atualmente, em vésperas de novo ato eleitoral, a mais recente sondagem atribui uns 10% ao partido liderado por Abascal.


Fotografia: EITB.EUS

terça-feira, 8 de novembro de 2016

Eleições Presidenciais: The Season Finale


Eu gostava de escrever esta crónica com total imparcialidade. A verdade é que cheguei mesmo a tentar. Mas não consigo. Por isso, mal comecei a escrever as primeiras letras do primeiro parágrafo, desisti. Pronto, é isto. E, afinal, um texto de opinião é isso mesmo; e vale o que vale.

Fotografia: Sábado
Estamos a algumas horas das eleições presidenciais americanas e – se o expectável era que a ansiedade fosse ficando cada vez maior – a verdade é que é, precisamente, neste momento que respiro de alívio pela primeira vez.
Depois da última semana, ou talvez mais, em que várias sondagens divulgavam aquilo a que chamamos de “empate técnico” entre os candidatos Trump e Hillary, com diferenças percentuais tão ridiculamente mínimas que, a ter em conta as margens de erro, tornavam inconclusivas quaisquer análises, saíram, nas últimas horas desta segunda-feira, novos resultados que, mesmo a ter em conta os 2 ou 3% de margem de erro, concediam a vitória a Hillary Clinton.
Não nos vamos esquecer que, ao longo de toda a campanha, de um modo geral, os estudos de opinião feitos nunca obtiveram resultados suficientemente confortáveis, que me permitissem ficar sentadinha no sofá, sossegadita por estar garantida a vitória de Clinton. Muito pelo contrário, esta campanha foi um teste à minha capacidade de resistir ao stress. Porém, mesmo sabendo que estes últimos dados possam ter sido fruto, em parte, da aparente acalmia do FBI em relação à sua investigação a Hillary e, pondo mesmo em hipótese, a inibição que alguns americanos poderão sentir na hora de responder a uma sondagem revelando a intenção de votar em Trump (muito por culpa das opiniões controversas do candidato), respiro finalmente de alívio por aumentar a probabilidade de vencer a candidata democrata.
Os apoiantes de Trump que me perdoem, mas governar um país é muito mais do que falar em desemprego, em mexicanos, em capital, em muros e, naquilo que eu apresento como, a nova vaga de “escravatura” que Trump pretende implementar nos EUA. Os americanos seriam os novos escravos do magnata que, a troco de nada, investem o seu voto num empresário “de sucesso” (à la sonho americano), o qual pouco conhece de direitos dos trabalhadores, mas parece dominar as ideias supérfluas do racismo, do sexismo, do assédio e da covardia. Além disso, receio que, com a vitória do republicano, se acabe a noção de diplomacia nas relações norte-americanas e que assistamos a uma espécie de Brexit à americana, com o desinteresse pelas organizações internacionais. Nem a mais recente vaga de apoiantes “Women for Trump” consegue apagar da minha memória as conversas de balneário do republicano com os seus amigos loiros, de rosto alaranjado pela base em excesso, com discursos machistas, populistas e demagogos.
Do lado oposto, ao longo da campanha de Hillary Clinton, muitas pessoas pareciam mais preocupadas em confrontar a candidata com a governação do seu marido do que propriamente em interpelá-la acerca das suas ideias e carreira política. Sim, porque o meio político não é algo desconhecido para Hillary e não me refiro aos anos em que Bill Clinton foi presidente. Mas sim, aos anos da vida da democrata investidos na sua própria carreira desde que se graduou em Ciência Política, do período de assessora jurídica do Congresso à liderança na defesa da criação do Programa de Seguro de Saúde para Crianças, da Lei da Adoção e da Segurança Familiar e da Lei dos Adotivos Independentes, do período de senadora, sendo a primeira First Lady a concorrer para um cargo político eletivo, ao seu tempo de secretária de Estado do governo Obama quando se tornou a primeira mulher a ser nomeada para a presidência por um grande partido político norte-americano.
Trump coloca abaixo de si as mulheres com quem se envolve, já Hillary vê o nome do seu marido sobrepor-se ao seu na hora de falar em público, na mídia, por entre os republicanos.
 A balança parece estar bem desigual; de um lado, um populista, do outro lado, a miúda popular. No entanto, os americanos parecem estar mais desencantados e divididos do que nunca e isso lá vai beneficiando quem professa separatismos e discursos fáceis de vender, o que, de alguma forma, vai equilibrando a balança.
Resta esperar pela madrugada de terça para quarta, para sabermos oficialmente como culminará esta season finale das presidenciais americanas 2016, com a certeza de que, qualquer que seja o resultado, estas eleições já têm lugar VIP na história política americana e mundial.

«Se Donald Trump ganhar, a América será como um planeta que sai da sua órbita e que viajará sem tino nem destino pelo espaço sideral da vida política global.» in Público
«Jackson acha que o apoio a Trump é, acima de tudo, “uma resistência à Presidência de Obama e aos direitos conquistados pela comunidade LGBT, por exemplo”.» in Público

«“Votei pela primeira vez durante a Presidência de Reagan, e nessa altura era inimaginável virmos a ter um Presidente afro-americano e, possivelmente, uma Presidente mulher. Bastava dizer as palavras ‘Casa Branca’ e a imagem que surgia era a de homens brancos vestidos de fato e gravata. Essa maré tem vindo a mudar muito lentamente nos últimos 100 anos, e por isso olho o futuro com optimismo.”» in Público

Rute Rita Maia

domingo, 25 de setembro de 2016

Sexo, Política e Desobrigações



"Eu e os Políticos" é o nome do livro da autoria de José António Saraiva que  revela pormenores íntimos de personalidades ligadas à nossa política do conhecimento do próprio que decidiu que seria proveitoso colocar em livro. Foi chamado de "o livro proibido do arquitecto Saraiva" ... fica a ideia para uma posterior película de filmes para adultos, se conseguirem um bom duplo para fazer de Paulo Portas (sim porque de certeza que a cena dos submarinos deve vir algures também).

Antes que pensem que isto é logo uma ideia pouco inteligente vou só dizer que este senhor manda no Jornal SOL, logo também não deve primar muito pela eloquência. Este é sem dúvida o livro que faltava nas nossas livrarias, porque também ninguém se ia lembrar de olhar para a politica e pensar que tipo de javardice os senhores faziam sem ser aos nossos bolsos. Sempre, com a minha mais pura inocência, pensei que a massa política só conhecia a posição do missionário, aquela que fazem sempre questão de nos propor sempre que nos querem os subsídios, o 13º mês, as pensões ... é sempre a mesma, mas ao menos já sabemos para o que vamos.

A base do livro, neste caso os seus alvos, está claramente mal cimentada.
Quando pensamos em forrobodó ligado a personalidades políticas pensamos em Mariana Mortágua (com ou sem imposto na retenção na fonte), Marisa Matias ou até Isabel Moreira, e para o lado feminino a coisa ainda podia pedir um João Galamba. Isso sim era serviço público e, com alguma ajuda gráfica, puxava os mais jovens a comprar o livro. Educativo e ilustrativo, como tem de ser.


Mas José António Saraiva preferiu falar de Mário Soares e Manuela Ferreira Leite.
Ninguém no seu perfeito juízo vai pensar "Olha vou comprar este livro para ver o que é que aquela maluca da Ferreira Leite fez naquela noite antes da rentreé do PSD, aquela tola!!" ou "Estou mortinho para comprar o livro e perceber se aquela corcunda do Mário Soares, esse garanhão, é da idade ou se foi de tanto escacar pedra no tempo dele".


Como é que sabes que o teu livro é, no mínimo, complicado de aceitar? Quando a pessoa que tu convidas para o apresentar e a mesma está referida na obra pede para o "desobrigares" a ir por razões pessoais (mesmo quando afirmou que não voltaria atrás na palavra e disse que ia) e porque houve um filtro que foi mal aplicado. Quando os amigos falham à palavra e o filtro não ajuda ... há que desenrascar sozinho, como as vezes tem de ser naquelas noites solitárias caro José Saraiva.

Para concluir apenas dizer que já há locais onde o livro tem 10% de desconto, o que mostra que o reinado das 50 Sombras de Grey pode estar para ser destronado rapidamente. Vou só deixar esta imagem aqui: Grupos de Leitura de mulheres a debater entre si as loucuras sexuais que o nosso Presidente da República andou a fazer antes dos mergulhos no Tejo.

Até à próxima.






domingo, 10 de julho de 2016

Doze anos depois... queremos muito mais!

“Amigos chegou o momento de vos pedir ajuda.
Sei que estamos juntos e todos queremos ganhar o campeonato da Europa. Sei que muitos já colocaram a bandeira nacional nas janelas mas chegou o momento de vos pedir algo mais.
Nós aqui, quando possível vamos espreitar o que vocês dizem nas redes sociais e por isso gostaria de vos pedir que nos motivem… que escrevam e partilhem o vosso apoio, o vosso desejo… queremos sentir ainda mais a vossa força.
Queremos ver as cores de Portugal nos vossos perfis, queremos os sorrisos de uma nação motivada porque todos juntos somos mais que um país, somos uma equipa.
O momento é agora!
Este é o apelo de Ricardo Quaresma partilhado nas redes sociais.
Em 2004, há doze anos atrás, eu tinha apenas oito anos de idade. Era uma criança, mas lembro-me como se fosse ontem da final do Euro frente à Grécia. Nesse ano, curiosamente, o campeonato havia sido realizado em Portugal e, por essa mesma razão, foi provavelmente a primeira vez na minha vida que vi o nome do meu país nas bocas do mundo. Os meus olhos olhavam maravilhados para o meu redor pintado de verde e vermelho. Nunca imaginara algo assim... Tudo o que eles viam era magnífico! O meu pequeno coração palpitava ao som da campanha da Galp, cuja canção nos fazia gritar por "menos ais", pedindo "muito mais".
Foi, sem dúvida, dos poucos momentos em que vi um país inteiro coeso, unido em volta do mesmo palco. Foi a primeira vez que experimentei o sentido da palavra pátria. Só de reviver esses momentos me arrepio...
Foi bom pertencer à geração que vibrou com os golos de Figo, as defesas de Ricardo, a confiança do próprio seleccionador - o mestre - Scolari! A geração que chorou e riu lado a lado com os incríveis 23. A geração que não criticou e que acreditou até ao último minuto que a taça seria nossa. Fomos de uma força capaz de calar o mundo inteiro!
Doze anos depois, ao ver o vídeo «A Marcha de uma Nação!» de Guilherme Cabral, fui transportada para o palco da luz, num regresso incrível ao passado, onde a esperança era tão grande quanto a ilusão e a ilusão tão grande quanto a fé. Agora, doze anos depois, devemos voltar a acreditar. Acreditar com todas as forças e, tal como Eusébio, beijar o relvado e esperar que a magia portuguesa aconteça.
Ainda hoje choro a relembrar esses momentos e essa febre. E espero daqui a duas horas estar a chorar de alegria pela vitória daqueles que depois de convencerem, finalmente, venceram!
Façam-se cordões humanos, cante-se o hino. Hoje quem marcha somos nós!

segunda-feira, 27 de junho de 2016

Brexit: quando o Reino deixa de ser Unido

Nicolas Sarkozy, ex-presidente francês da Direita do país, alertava, no ano de 2007, para a «consciencialização de que os nossos destinos estão agora tão interligados que não mais podemos ignorar o que se passa nos outros países», um dos «aspetos mais positivos da globalização», acrescentou.
A meu ver, o problema do referendo do Brexit não é o facto de ter sido consultada a vontade do povo britânico, mas sim, com ele, terem emergido populismos desmedidos, apoiados pelos conservadores, os quais se aproveitaram deste frágil momento para reproduzir discursos baseados num nacionalismo bacoco, xenofobia, intolerância e em políticas anti-imigração de um carácter protecionista extremamente elevado. Desengane-se quem pensa que foram apenas fatores económicos que despoletaram esta decisão. Foi, principalmente, a vitória do preconceito face à razão. Mascaram-se de discursos independentistas e afirmam o desejo de obter uma maior autonomia, mas deixem-me relembrar que o Reino Unido conseguiu ter cláusulas excepcionais em vários acordos da UE, nem tampouco partilham a mesma moeda. O Reino Unido sempre zelou pelos seus interesses, mesmo que isso significasse complicar ou atrasar os processos de tomada de decisão, com uma capacidade de negociação notável.
Enquanto futura politóloga devo olhar para os números e digamos que eles não me agradam. Desde logo, nota-se um grande fosso entre gerações: os eleitores mais jovens votaram para ficar, já os mais velhos para sair: o que significa que quem mais votou para sair menos tempo viverá com essa decisão, contrariamente, os mais jovens desejavam continuar a viver dentro da UE. Os adultos de amanhã acreditam no projeto europeu. Além disso, alguns jornais afirmam que, somente após o referendo, os britânicos procuraram saber no Google o que é a UE, o que me assusta, pois revela a possibilidade de terem ocorrido votos com uma certa inconsciência.
Independentemente das famílias políticas, para mim, este referendo será sempre um retrocesso. O que vai acontecer à livre circulação de pessoas e bens? A partir de agora, o Reino Unido fica livre de desenhar novas políticas de asilo, de migração e políticas protecionistas, não só económicas, mas também, ao nível da cidadania. E os emigrantes a viver/trabalhar no Reino Unido?
Os britânicos perderam muito mais do que o que ganharam com este referendo. A UE protagonizou avanços muito positivos que, ao fim de tantos anos, não conseguimos reconhecer no nosso quotidiano por os termos dado quase como que dados adquiridos. A comunidade não se representa só pelo seu aspeto económico, mas por um conceito que muito admiro: o de cidadania europeia. Neste sentido, a UE não é um projeto falhado! Trouxe-nos paz e, como sempre ouvi dizer, a União faz a força. Aqui não é exceção. Tenho muitas dúvidas que a globalização nos deixe viver sozinhos.
Voltando aos números, a Inglaterra e o País de Gales votaram pela saída, mas vale a pena lembrar que a Escócia e a Irlanda do Norte desejavam ficar na UE, pelo que este desfasamento pode provocar a desunião dentro do Reino União e estimular estas “nações sem Estado” a lutar pela sua independência. Em Abril passado, quando participei numa conferência internacional na Universidade de Santiago de Compostela, precisamente sob o tema «Stateless Nations and Europe», ainda não se previa este desfecho mas já os especialistas alertavam para a possibilidade de existir esta divergência dentro do Reino Unido.
As vozes euro-cépticas já se aproveitaram deste momento para convencer os europeus e o mundo de que a UE "está a morrer" ou de que este é o fim da comunidade europeia. Contudo, devo dizer que acredito no futuro da União e acredito que, como um órgão vivo que ela é, este será apenas o fim de um capítulo da história da UE e o início de um outro, representando não só uma lição para os líderes da comunidade, como também, uma nova oportunidade para acreditarmos neste projeto.
Torna-se fundamental reviver a UE e recolocar o projeto comunitário no caminho certo, que é, no fundo, apostar numa ação capaz de atuar em todos os Estados-Membros. Trabalhar juntos e em uníssono fará com que nos reconciliaremos com o projeto europeu.

Acreditei que o Bremain saísse vencedor do referendo. Pelos vistos, estava enganada. 


Rute Rita Maia

quinta-feira, 24 de março de 2016

Asilo na UE?


No contexto do encontro em Viena, no passado dia 24 de Fevereiro, que juntou ministros do interior austríacos e dos Balcãs Ocidentais, o país germânico foi severamente criticado pela sua posição quanto à questão da imigração e do asilo e pelas contrariedades que tem revelado. Se por um lado, a Alemanha incentiva a política de portas abertas, perante a Grécia, que é uma das portas europeias; por outro lado, exige à Aústria que pare todos os que querem chegar a solo alemão. Esta situação leva-me a crer que há uma posição proteccionista alemã, que contraria a posição defendida pela União e desafia, até, o supranacionalismo em que esta vive, que promove a partilha de soberania e a obrigatoriedade de certas políticas. Não põe esta atitude alemã em causa o princípio da integração que visa a não discriminação entre Estados?
Enquanto não é implementada uma medida europeia consistente, alguns países afirmam que têm de tomar medidas nacionais. Nem a própria Alemanha, nem a principal porta da Europa, a Grécia, foram convidadas para a reunião. Nesse encontro, “os líderes dos Estados na rota de migração dos Balcãs chamaram para a necessidade de reforçar as restrições nas fronteiras, na ausência de uma solução europeia comum”. A ministra do Interior austríaca defendeu que “parte da razão para o evento Viena foi também para gerar «pressão» para uma abordagem europeia conjunta”. Contudo, o que sai na declaração conjunta do encontro é que “a migração na rota dos Balcãs Ocidentais precisa de ser substancialmente reduzida, porque estão sobrecarregados”. O que, considero, pode pôr em risco a primazia do Direito Comunitário sobre o Individual, uma vez que ignora “a necessidade de proteger aqueles que estão em necessidade real de asilo”.
Esta situação fez com que vozes vindas da Grécia e da Eslováquia proclamassem que todos os membros do espaço Schengen apliquem o Código das Fronteiras em pleno. Como sabemos, o espaço Schengen é a zona de viajar sem passaporte da UE. O Primeiro-Ministro grego, Alexis Tsipras, vai mais longe e ameaça bloquear as decisões da União, caso a Grécia seja deixada sozinha a lidar com a crise de migração. “A Grécia não irá mais concordar com qualquer acordo se os encargos e as responsabilidades não forem partilhados proporcionalmente”, disse.
A Áustria e outros países dos Balcãs Ocidentais concordaram em reforçar os controlos nas fronteiras, tanto que este primeiro anunciou um limite diário quanto ao número de pessoas autorizadas a pedir asilo ou a viajar. Como resultado, os migrantes têm ficado retidos na Grécia. Tsipras não aceita que alguns países se recusem a implementar acordos conjuntos da UE e ajam unilateralmente. O Primeiro-Ministro grego recusa qualquer acordo, a menos que todos se comprometam a manter as fronteiras abertas, acrescentando que o seu país vai exigir a participação obrigatória dos países da UE no acolhimento dos refugiados.
O Alto Comissário para os Refugiados da ONU já tinha alertado que as restrições nas fronteiras ao longo da rota dos Balcãs iriam contra as regras internacionais e europeias.
Segundo os Balcãs, os refugiados devem ficar mais próximos dos seus países de origem e não devem ser autorizados a escolher o seu destino na Europa. Eles concordam que acomodar migrantes deve ser um “fardo partilhado”. A Áustria é criticada por quebrar as políticas comuns da UE ao impôr um limite unilateral, mas há diplomatas que afirmam que “as soluções europeias até agora acordadas não funcionam”.
O evento de Viena veio pouco antes de Ministros da justiça e assuntos internos da UE se reunirem em Bruxelas.
 
Rute Rita Maia

terça-feira, 23 de fevereiro de 2016

Obrigado e Até Sempre

quarta-feira, 27 de janeiro de 2016

O Outro Lado

Eu vivo contigo. Tu vives de tudo que sou.
És a alma obscura de olhos escuros, à procura dos meus defeitos. És aquilo que não posso ser, a minha antítese, o oposto do que a minha personalidade tem de significativo. A tempestade de relâmpagos pronta a acontecer, o meu falso amigo em tempos menos áureos, o caminho maldito em jornadas errantes da vida. A nuvem cinzenta em cima de uma cabeça por vezes pouco lúcida. Um monstro.

Esquivo ali estás, no canto do meu pensamento apenas à espera para o tormento ser a tua forma de expressão. Alimentas a minha ânsia, os piores frames de memórias e presságios que não adornam o melhor cenário. Ocupas as minhas falhas com promessas de vingança e ego como se essa fosse a solução. Os meus medos são as tuas virtudes, os meus tropeções são o que te faz ser mais veloz. És a máquina malévola que tenho de parar.

Sou exemplo e resultado dos teus actos. Nos meus santuários, em momentos meus é como se estivesses ao meu lado e por vezes replico acções que só a ti fariam sorrir. Sei que somos inseparáveis, que te terei de suportar, talvez seja o castigo para me relembrar que há um lado meu que quero evitar dar o controlo.

És a minha eterna querela, a batalha que vou querer sempre vencer. Vives comigo, mas farei questão de que apenas sejas espectador das minhas conquistas sem que tenhas relevo nas mesmas. Serei David aquando me apareceres como Golias, guerreiro sozinho no teu campo de batalha.

Vais continuar comigo, com a mão sob o meu ombro e o teu reflexo empregue em alguns espelhos, mas não serás senhor da situação nem dono do meu olhar. Caminha comigo, aí, no teu canto. O resto vivo eu.

domingo, 10 de janeiro de 2016

Tale of a Gentleman

Traces of a class act ... and a human beeing.

Some say he's out of this world, and probably they are right.
He is different. Not above or below the average, and that is not a trace of someone weaker or stronger when compared to other humans, just different. Creating the thought that maybe he can be something special.


The kind of person who doesn't allow trends to be able to create his image or style, the one who plays with his ideals and makes them count on every situation.
A classic example of contrast. Not afraid tho put on a tie even if it's not "normal", who wears a vest even if he's not going to something formal, but at the same time he can take his sports gear and typical running shoes just to have another level of confort at home or on the journeys of life.
He knows his goals, makes them the target in sight. Devises a plan, a way to achive the win, not at all costs, but leaving this mark on every step of the way.


He let's the little things in life to amaze him. A walk, that instant for the right photo, a drink with the buddies, a run near the sea to clear his head, that moment with that special person that freezes time, the moment of silence while writting where only his mind does all the talking, that glass of liquor on rainy days, that feeling of time well spent when he sees the ones he loves smilling.
He tries to make everything unforgetable, a goal that shows how much he wants to me remembered. He doesn't need medals or thophies, just the privilege to see the good vibes that can bring to his friends, old and new. His wins in life are there for everyone to see and be aware of.

Even his way with women is different. In a world where everything seems simple, where men are usually mistaken of beeing "players", he leads a different path. In every contact he makes sure that the women in front of him is treated with the respect she deserves, laying on every word what makes that women so great, showing they real value and beauty. Some call it easy flirting, he calls it beeing the real version of a men when talking to a women.
Life brought him affairs, feelings, love that was felt like never before. After all he just wants to believe that he gave everything he could, that made that women feel special and happy for having him with her despite of this flaws. 


But in between his classy acts and good humor there is always a dark side. The moments when the pride is hurt, when hours of sleep are put aside because of his worries, when the will to win blinds him in defeat ... a beast inside that even a well dressed and educated gentleman has trapped inside his head. There are times when everything is wrong, when the world seems ready to betray everything he stands and have in this life. They say often that this type of moment happens so that we can learn to be better ... well, that kind of way of learning is not quite in his head (that stuborn pride...).
He prefers to be alone, with his mind, supporting some kind of help using this writting or pushing his body in a way that makes him feel tired, physically and psychologically. The world will keep spinning and eventually he will rise again with his charisma.


He makes this his way of life, because in a world full of trends he wants to remain a classic.

quarta-feira, 30 de dezembro de 2015

A promessa que te fiz

Olhaste-me nos olhos. Foste sincera.
Mesmo naquele momento em que a minha vida parou fui incapaz de criar palavras ou gestos que te magoassem perante esse olhar que fez tudo para não chorar enquanto as palavras saíam da tua boca. Deixei que o silêncio fosse o meu refúgio.

Era para o teu bem, para te poderes encontrar. "És tudo o que procuro, mas não agora", a frase que gelou o meu mundo e que me tirou as forças. Mas ainda assim, como muitas vezes te sussurrei ao ouvido, eu não estava ali para te fazer sofrer nem para te fazer viver algo que não tivesse como intuito deixar-te feliz. Aceitei cada palavra, para que tivesses o espaço que mereces.

O que ficou foi aquilo que jamais pensamos perder. Um elo de ligação que nos marcou e que nos faz ficar sempre no canto um do outro. Perante mil defeitos meus e virtudes que por vezes soam a falhas a minha promessa para contigo vai manter-se. Nao serei embecilho ao que procuras, sairei do teu caminho se assim o quiseres, tal como te disse naquela tarde perto do rio. Vais para sempre ter contigo algo meu, um pedaço do que sou, porque mereces, porque me marcaste como ninguém. Tens-me contigo de uma maneira que só tu sabes.

Prometo não te falhar, não te fazer chorar e não serei impedimento para a tua felicidade. Para os momentos menos bons eu estarei lá para te limpar as lágrimas, e para as tuas vitórias terás os meus aplausos. Terás sempre a minha mão para te ajudar, apoiar e ser complemento para os triunfos que almejas alcançar. 

Sabes onde me encontrar. Quero que estejas feliz, que encontres o que te deixe feliz e que ele tenha a noção da mulher que sente aquilo que eu adorava ter. Que te mime, que te faça perceber a pessoa especial que és ... No fundo é a prova que há homens com sorte por haver mulheres como tu que olham assim para alguém.

Quem diria que a minha vida podia ter tal presença que me fizesse tremer a cada passo a teu lado, a cada abraço, alento ou cumprimento. És aquela que nunca vou parar de procurar numa multidão.

Conta com a minha promessa meu bem. Vou estar sempre aqui.

segunda-feira, 21 de dezembro de 2015

O rapaz que não chora

Ele tinha a sua noção do mundo, as suas crenças e valores bem definidos. Sempre procurou o equilíbrio das coisas, das situações numa busca constante de uma aprendizagem que o fizesse melhorar.

Ao longo dos anos aprendeu que não podia fraquejar, cedo acumulou um peso que não lhe permitia chorar porque a realidade pedia que ele fosse maior que a ocasião, que fosse o exemplo e o estandarte de uma vitória perante o caos.

O mundo e a realidade quase sempre cumpriram o pacto que fizeram com ele: Ele vivia o que eles lhe propunham enquanto que deixavam que o rapaz pudesse equilibradamente aprender com cada situação amealhando amizades, marcas e histórias.
Quase sempre ... havia outros planos. Porque o mundo e a realidade criam por vezes uma noção de segurança e conforto que não existem e tudo o que tu adoras viver amanhã pode já não lá estar para tu contemplares. Criam-se os dias em que já te sentes a perder e ainda nem da cama saiste, em que parece que sprintas em cima de uma passadeira rolante que te leva a nenhures.

Ei-lo, aquele rapaz, com um joelho no chão e sem forças, a contemplar um cenário cinzento de ruínas que outrora foi paisagem que ele amava poder fazer parte. Mas ainda assim não verte uma única lágrima, porque o Mundo fez questão de lhe tirar tal privilégio. Ele não foi moldado para tal acto apesar de todo o seu corpo criar um tremor que ameaça toda a sua mente.

Em vez desse singelo acto que é chorar é proposto que esse rapaz tenha a luta mais complicada: contra si mesmo. Que se reencontre, que ponha de lado as amarguras que o atormenta. É assim que o Mundo apresenta a saída para esse rapaz, continuando a pôr em causa os passos felizes que tinha, para que possa ter mais uma travessia no deserto, a cada noite, cada uma mais complicada que outra. Perde amores, momentos de alegria, sonhos, vontades e sorrisos que trazem memórias, tudo desvanece perante os seus olhos e ao invés ficam imagens de castigo que só a sua mente reproduz, caindo mais um dos seus castelos, pedaços do seu mundo.

A lenda diz que aquele rapaz,  embebido do seu orgulho e apesar de todo o cansaço e destruição, se vai reerguer. Mas como qualquer lenda é preciso saber que a história tem utopias e o herói tem falhas, senão ficará como um mito eterno.

terça-feira, 15 de dezembro de 2015

Obrigado 23

O dia 17 de Dezembro traz o momento em que me despeço de mais um ano de vida para abrir a porta de um novo. Digo adeus ao 23º tento na minha existência agradecendo tudo o que me trouxe.

É no "meu" dia que faço questão de olhar para o que fiz. Olho para o que vivi e não tenho dúvidas que aprendi, venci, quebrei ... Enfim vivi.

Foi ano de uma nova "família" profissional, de momentos de graça em espaço sério, de múltiplas fotos, brindes e momentos espontâneos que geraram gargalhadas. Fui "miúdo" entre mulheres, menino entre os mais experientes, mas ciente que deixei uma marca que muitos apreciam e respeitam à sua maneira, sabendo da boa disposição que vem daqui. Aprendemos com os momentos mais complicados e tentaremos fazer deles exemplo para fortalecer uma equipa que tem tanto de excêntrica como de divertida e capaz.

Com 23 anos puxei por mim. Corri, voltei a correr e decidi não parar até criar o melhor desafio. Partilhei rotas, conversas entre amigos e querelas para o meu corpo poder combater e se sentir melhor. Senti manhãs e tardes de sol, chuva, vento ... E dezenas de corridas depois não me arrependo de todas as lições que os trilhos me deram, mesmo aquelas em que a minha mente foi falando comigo para espairecer com o corpo.

Quero acreditar que neste ano eu cresci. Madurei, mas sem nunca perder a personalidade que me define e que faço questão que quem me conhece veja como imagem de marca. Entre gargalhadas, abraços, apertos de coração, chatices e afectos eu fui dando os meus passos, amealhando amizades e, porque não dize-lo, amores.
Ganhei pessoas que sei que vou estimar para o resto da vida, sem nunca esquecendo os "especiais" de sempre na minha cruzada. Por todos eles eu digo obrigado, porque me tocaram. Terão sempre o melhor de mim.

Aceitei desafios, batalhei como nunca e também soube o que é perder. Podia embelezar a situação e dizer que aceitei sem problema mas o orgulho é hirto em mim e sei que só devagar vou deixando um sorriso puxado e dizer que está tudo bem. Defeitos que não saem, nem devem sair.

Basicamente fiz e tive de tudo nesta etapa dos 23. O filme que o 24º vai trazer não me preocupa, até porque tem tudo para trazer um bom complot para um actor que nunca muda de personagem.



domingo, 13 de dezembro de 2015

Apetece-me

Apetece-me tudo, mas o momento dá-me quase nada.

Apetece-me ser dono dos mundos que me tocam, mas a minha força não aguenta tamanhos exércitos.

Apetece-me ser rochedo, mas as ondas corroem a impunidade que outrora tinha.

Apetece-me ser resposta, mas as perguntas continuam a mudar.

Apetece-me ser egocêntrico, mas os meus valores não permitem tal vaidade.

Apetece-me ter-te comigo, mas sei que é sonho de coração insano.

Apetece-me gritar, mas as palavras podem não ser as mais correctas.

Apetece-me ser irrepreensível, mas os meus defeitos estão bem patentes.

Apetece-me ser especial, mas é luxo que por vezes nos foge.

Apetece-me ser exemplo, mas o cansaço mostra que pode não ser esse o modelo a seguir.

Apetece-me ser maior, mas a fadiga em mim demonstra que há limites.

Apetece-me fechar os olhos e descansar, mas a minha mente tem outros planos e filmes para me mostrar.

Simplesmente apetece-me ...

domingo, 22 de novembro de 2015

The path we walk on

Be free, be random.

Be the personafication of your feelings.
Be able to make friends and allow wars for you to win, but don't forget to learn from the ones you lose. Love, hate, debate, show your colours to the world that you call yours.

Make sure that your attitude is loud in every step of your way, because its a symbol of what you are.

Suit up, dress up, grab your clothes and show the world that "style" is only a word to describe your way of life.

Leave your mark in every place, in every person you meet along the way. A smile, a gesture, an action, a picture ... You chose your souvenir.

Try to make the most of every day, of every step. You will cry and laught, you will regret your decisions, sacrifice yourself sometimes and make mistakes ... Because you are human.

Don't be afraid to live your life. They say that the path we have is already created and its waiting for us to cross it ... Well, make it one hell of a ride.

domingo, 15 de novembro de 2015

"Teremos sempre Paris"

Podia ter sido como uma outra qualquer noite em Paris, mas não foi.

Foi noite de 13, serão onde foi sentido da pior maneira um jogo no Stade de France, onde as ruas e restaurantes parisienses não foram locais seguros e quando o Bataclan teve o seu espectáculo mais horrendo em exibição.

Foi noite negra, inglória e pouco digna para uma sociedade que se afirma civilizada. Foi momento de morte, de perda, de passagem de uma mensagem que em nada honra a paz que tentamos sustentar. Foi noite de instaurar o medo, mesmo que isso envolva a própria vida de quem a perpétua como justificação para os seus actos. E pensar que fomos "Charlie" à tão pouco tempo ... Paris parece marcada e não é só pela sua beleza.

O que pensar depois dessa intragável noite? Que não estamos seguros? Que os responsáveis são facilmente identificáveis e que estão a entrar pelo nosso país sem contestação? Que é tempo de ripostar mesmo que envolva mais mortes?

É um gesto bonito o da condolência, o do sentimentalismo que uma simples acção como ter a bandeira francesa no Facebook e o partilhar de opiniões fundindo tudo isso com as informações que os media nos trazem. Se resolve algo, isso não é certo, mas são movimentos. O Estado Islâmico foi prontório e assumiu o golpe. É nestes casos que a humanidade espera que a resposta seja o mais eficaz possível, mas no fundo isso é apenas um dos objectivos.

O mais importante agora é "reaver" a beleza que Paris representa. Apagar o mais rapidamente a imagem de terror que a última sexta trouxe. Com a medida certa procurar os responsáveis, mas ao mesmo tempo devolver a magia a um local assolado, como muitos outros que sofrem pelo Mundo com estes atentados.

Queremos a bela Paris de volta com o seu encanto.
#PrayforParis

sexta-feira, 30 de outubro de 2015

Contigo, para dar certo

Eram dois, cada um no seu mundo.
Viviam paralelos entre os murmúrios, fantasias ou desejos que queriam para a sua vida.

Não havia razão aparente para que os seus mundos se cruzassem, mas a vida tem aquele condão de encruzilhar aqueles que nunca se tocaram.

Palavras trocadas, elogios sinceros e um encontro que mudou o panorama. As horas tornaram-se curtas entre tantas palavras, histórias, risos e promessas. A efemeridade de uma tarde imortalizada num dia que por eles não acabaria. Ele, encantado pelo conforto que ela lhe trazia; ela incrédula com o modo de ser que ele ostentava.

Teve demasiado sabor para ficar por ali. Seguiram-se encontros fugazes, fugidas sem pensar e o cimentar de um sentimento com o qual ambos vivem com toda a ânsia de querer ainda mais.

Ela está lá para ele, como ele lhe prometeu que fará de tudo para que ela esteja feliz. Porque nos olhos dela está a garantia que fará tudo para dar certo e nos dele está a certeza que quer ser aquele que a torna completa estando sempre lá para ela.

O trilho será desbravado por ambos, com os passos que juntos definirão como os mais certos. O caminho, esse vão percorre-lo de mão dada, conquistando e querendo ainda mais do que aí vem para ver, porque dos dois mundos que existiam eles fazem questão de criar um novo, aquele que os une ... para que tudo dê certo.

terça-feira, 13 de outubro de 2015

Prostituição Política

É escandaloso e inacreditável o estado em que está a política em Portugal. Após umas eleições que em nada resolveram por si só o rumo a seguir eis que começa uma fase de enamoramento efémero paralelo entre o PaF e BE/CDU pelo PS de António Costa. Juras de amor que os telejornais e media em geral seguem com atenção.

O PS neste momento nada mais é do que uma call girl que tem o poder de dar a uma das forças políticas interessadas o que elas mais desejam: mandar no país.
Se por um lado o PaF "abana" com gentilezas e palavras bonitas como se estivesse acompanhado de um bonito fato e soundtrack de Marvin Gaye, do outro está o BE e a CDU, com um ar mais revolucionário, de vestimenta mais casual, que prometem uma experiência diferente, mais "wild" e com momentos nunca antes experimentados pelo PS, como uma maçã nunca antes trincada.

E no meio disto tudo o que pensa a nossa call girl? Aparentemente nada. Depois de ter falhado redondamente nas eleições saboreia, entre "encontros" com as duas partes, o sabor de algum poder e controlo, ainda que fictício, porque afinal de contas eles não são o que querem sem o PS alinhar na brincadeira.

Chegamos ao ponto de Costa, alguém que não foi capaz de ter a estratégia para ganhar "sozinho" e agora nem é consensual no seu partido, ter nas mãos o rumo que Portugal vai ter. Prestes a vender-se a quem o seduzir melhor ... Uma imagem à qual Portugal não se vai descolar tão cedo.

Aguardamos assim a resposta para saber qual a varanda que Costa escolhe. Aquela onde está um Portas atrás de Passos pouco contente com o abanar da carruagem ou aquela onde Catarina e Jerónimo têm uma Mariana Mortágua, trunfo sempre tão apetecível.

Para terminar, e sem nunca perder o tino à analogia escolhida, vamos ver até que ponto é p*** cara ...

segunda-feira, 5 de outubro de 2015

Ei-lo, Marcelo

Agora que um "duelo" terminou eis que outro começa. Mas o mais importante de toda a eleição presidencial que ai vem aconteceu hoje: O "tal" candidato que podia não ser, acaba de anunciar que vai a votos para o maior cargo da nossa democracia.

Marcelo Rebelo de Sousa afastou todas as nuvens de dúvida e uma noite depois das legislativas confirma que é candidato a Presidente da República.
É o carimbo, para muitos é o tiro de início para as Presidencias. O lobo astuto saiu da toca, veremos quem vem para o terreno tentar a sorte.

O que significa? Os experts dizem que é quase como aquela equipa de super estrelas que joga de olhos fechados e que vence finais como se nada fosse, venha quem vier. No mundo político Marcelo surge como o "pistoleiro" mais capaz perante os "top guns" que são Novoa, Rui Rio ou Maria de Belém.
Vitória cantada dizem uns, uma possibilidade única para vencer a figura mais forte pensarão certamente os candidatos que irão a votos também.

Ontem foi noite de PaF, Costa e Catarina (já para não falar dos eleitores Sócrates e Salgado) e muita tinta ainda vai correr, mas este avanço de Marcelo vai andar paralelamente nas notícias porque afinal de contas este anúncio era há muito esperado no mundo da política.

Marcelo já ai está e parece ter a vitória segura ... Será que vem outro candidato apto a ombrear com o Professor?

quinta-feira, 24 de setembro de 2015

Uma questão de gases

Esta semana descobrimos que há escândalo no mundo automóvel. Ao que parece há marcas a largar gases sem o conceito e a tarimba permitidas. E toda a gente sabe que até para largar gases é preciso noção ...

A Volkswagen admitiu que os carros a gasóleo da marca estavam a enganar os reguladores quanto às verdadeiras emissões de gases poluentes, pedindo desculpa pelo sucedido. Obviamente sofreu consequência sobre o incidente sendo alvo de sanções e quebras nos lucros.

Basicamente a Volkswagen é como aquele miúdo na escola que copiou mas a professora deu conta. Pediu desculpa para não ficar mal, resta apenas saber se foi por ter copiado ou por ter sido apanhado.

Ao que parece isto não fica por aqui visto que BMW e SEAT também já foram visadas pela mesma entidade reguladora. Isto com gases já se sabe, as vezes chega a ser contagioso e todos pensam que podem larga-los à vontade.

"Martin Winterkorn, que abandonou quinta-feira a liderança da Volkswagen, terá direito, no mínimo, a uma pensão de 28,57 milhões de euros. Mas ainda pode receber mais 3,2 milhões de indemnização." A prova que certos gases mal dados valem milhões ...

Para terminar apenas dizer que um dos directores da Porsche vai comandar a marca alemã e isto revela intenção de poder. Agora a Volkswagen vai poder deitar gases, mas como se tivesse alta cilindrada.




domingo, 13 de setembro de 2015

Pedaços

Gostei de acordar contigo, com a tua voz. Aprimorou a manhã porque rapidamente passei a sorrir ainda ensonado do que com o alarme pouco auspicioso estridente de todos os dias. Acompanhas-me, ainda que de longe, da maneira mais natural e pessoal que tens, tal como eu gosto em ti.
Não vejo fim ao que temos, não quero tal imagem porque por muito 'feio' que possa ser espero poder embelezar a tua vida e torna-la especial como fazes com a minha.

Tu mudaste as coisas comigo. 
És a única mulher que me faz ter de repensar tudo o que digo para que saia bem, não te magoe e que te deixe contente.  Não porque tu mo peças, mas porque mereces que alguém o faça por ti. Eu vou estar aqui para todos os momentos que quiseres partilhar, alegrias ou tristezas, se precisares de descarregar sabes onde estou... Obrigado mesmo por seres quem és no meu mundo e acredita que me fazes bem. Só espero ter o mesmo efeito em ti.

Ainda não entendi bem como isto começou, mas sinceramente é o que menos importa agora. Aquilo que és, que demonstras e esse teu sorriso que me render no momento faz com que eu tenha a certeza que te quero na minha vida, de preferência mais perto do que "longe". Nunca te vou dizer não. Nunca vou querer falhar nada do que temos. Do sorriso à discussão, do beijo de despedida ao silêncio de quem não quer falar por amuo efémero prometo estar aqui. Já vivemos muita coisa, como uma montanha russa bem recheada de loops, mas seguimos viagem porque as emoções não devem parar.

Por todos estes pedaços, momentos da nossa vida, é que tenho a certeza que podes contar comigo para que estejas feliz. Acredita em mim.