"Writing is a socially acceptable form of schizophrenia."
(E.L. Doctorow
)

"Words - so innocent and powerless as they are, as standing in a dictionary, how potent for good and evil they become in the hands of one who knows how to combine them."
(Nathaniel Hawthorne
)

quarta-feira, 20 de junho de 2012

Férias


Como é de conhecimento geral as férias de Verão estão divididas em dois grupos: o grupo da “toalha ao ombro” (malta dos 15 aos 30 e tal anos) e o da “arca congeladora” (casados e velhotes). O ataque a esta estação é variado pelas duas partes, e é aí que eu entro (bem, tecnicamente entrei no início da crónica para a escrever, mas vocês percebem a ideia ...). De seguida passo a escrutinar ambos os grupos:


“Toalha ao Ombro”
Tempo de praia, passear com os amigos, saídas à noite com o calor, ir para as zonas verdes, apanhar sol e enquanto as meninas olham para os sócios com músculos os rapazes olham para os biquinis e para as curvas (e pronto, para os rapazes a crónica poderia acabar por aqui, não era rapaziada?)

- Basicamente na praia baseiam-se no esticar a toalha, pôr o protector solar, sacar a bola do saco e ter sempre uma frase de engate ou um piscar de olho pronto para o caso de passar algo “jeitoso” para a vista. É o tempo dos namoros de 4 horas e de inúmeras tardes a olhar para aquela pessoa que só vai olhar para ti se lhe acertares com a bola ... ou seja, é como na escola. 

- Fora da praia a atitude tem de continuar. O bronzeado é para ser passeado e esteja onde estiver é bom que as pessoas percebam que esta pessoa esteve 1h a torrar sem mexer um músculo enqanto estava deitado na toalha (apenas ficando com a marca dos óculos que dá sempre “aquele toque”).


“Arca Congeladora”
Filhos, mulher e sogros. Aqui estão os ingredientes para as férias de Verão de qualquer chefe de família. Na mala estão guarda-sois, lancheiras, arcas congeladoras (sim ok, nao fui muito original no título), os brinquedos dos miúdos, a sempre indispensável cadeirinha de praia e a sempre aborrecida viagem onde se fala de tudo e mais alguma coisa que ninguém quer ouvir e que o rádio não consegue abafar.

 - Na praia demoram mais tempo a montar a tenda do que a permanecer lá. A luta contínua entre o homem, o vento e o guarda-sol acontece sempre e nunca (e volto a frisar nunca) o guarda-sol fica como o homem quer.
O homem lê o jornal e discretamente olha para as “babes”, a mulher e a sua mãe discutem o que as vizinhas fazem, o sogro dorme e os miúdos apostam em quem faz o buraco mais fundo na areia. Para quê? Nunca percebi bem ...

 - Nos parques é fantástico ... porque é praticamente a mesma coisa. Para descarregar a mala é o mesmo martírio, mas aqui já não há a luta contra o vento, mas sim a contenda pela melhor sombra. O pai faz o mesmo, as mulheres também, o sogro continua a dar a sua sesta e a única coisa que muda é que os putos já não “coleccionam” areia no corpo, mas sim arranhões nos joelhos de tanto se atirarem para o chão.

Basicamente o Verão baseia-se nesta frase que eu uso para acabar:
“Uns trabalham para o bronze ... e os outros vêm-no passar”


 

sábado, 26 de maio de 2012

Ó Relvas, Ó Relvas


(viram o trocadilho que eu fiz com o título da música do Paco Bandeira? Não foi giro? Ok, têm razão não foi assim tão giro ... paciência, já está feito, e é pena porque pensei que iria sair menos fraquinho do que realmente saiu ...)

Bem, Miguel Relvas está envolvido num caso bicudo. Sim eu sei, onde é que já se viu um membro do governo envolvido em polémicas, é absurdo ... mas pronto há sempre a 1ª vez. Mas neste eu estou um bocado indignado, quer dizer, só porque o senhor jantou com Silva Carvalho (ex-espião), entre pratos lá partilharam informações confidenciais e depois trocaram SMS’s já faz disto um caso? Ah, esperem, afinal também ameaçou uma jornalista do “Público” ... pronto, ok, sendo assim já é um bocadinho mais grave.

Escreve o diário que o ministro considerou as perguntas "pidescas", tendo na mesma chamada dito que se sentia "perseguido", "e que iria fazer uma queixa à ERC, iria processar o jornal, iria dizer aos ministros que não voltassem a falar com o Público e iria divulgar na internet que a autora da notícia vive com um homem de um partido da oposição" ... Vêm o que acontece quando se revelam SMS’s? Entre amigos já é o que é, agora vindo de um jornal torna-se (digamos) chato quando nos apanham com “as calças na mão” (sempre quis usar esta expressão – sinto-me realizado).
  
Podia estar aqui a alargar o assunto de maneira séria, aprofundando mais o tema que só por si já é grave, mas preferi aparvalhar (eu sou assim, já deviam saber) até porque este caso já fez uma vítima: o adjunto de Miguel Relvas que se demitiu ao sentir-se pressionado. O nome do senhor nem é importante para a história, o importante é que houve uma demissão, como a oposição tanto pediu (não saiu o principal, mas também não se pode ter tudo!).

Para terminar apenas digo que gosto muito de ouvir Pedro Passos Coelho quando diz que o desemprego não precisa de ser algo mau e quando vejo Cavaco Silva a pedir aos jovens para não “fugirem” de Portugal ... é bom saber que temos a nata da incompetência a liderar o nosso país.

sábado, 12 de maio de 2012

Ideosssincrasias


Ei o rapaz está doido! Então começa uma crónica com uma palavra destas como título? Das duas uma: ou isto dá para o torto ou sai daqui algo tão lindo que é capaz de fazer chorar as pedras da calçada ... como sou eu que estou a escrever isto não prometo a segunda (tenham paciência, ao menos não vos vou enganar não é?).

A palavra significa “temperamento peculiar” e é algo que sabemos que existe em todo o lado. Se calhar depois de saberem o significado já estão a pensar se o vosso é peculiar não é? Pois, cada um de nós tem maneiras originais de reagir a variadas situações: o riso que até doi ao ouvir, o impropério (pumba vai buscar ... soa melhor que ‘insulto’) que nos sai da boca quando alguém erra, o choro repentino em cada filme melancólico ... 

Sem querer entrar pela porta da psicologia apenas digo que por vezes damos por nós a reagir de forma diferente ao habitual (como se costuma dizer ‘por instinto’ ou ‘a quente’). Diz-se que é nesses momentos que o nosso verdadeiro “eu” se mostra ... mas o meu está sempre a dormir portanto nunca soube ao certo se é verdade ou não.

Ok, calma, sim eu confesso que já dei por mim a berrar para a televisão depois do árbitro não ver uma falta escandalosa sabendo perfeitamente que por muito que eu berrasse ele não me ia ouvir ... mas para minha defesa a falta em questão era mesmo falta! 

Deixo aqui um exemplo que eu considero absolutamente admirável. Por exemplo, se nós passarmos por alguma pessoa que seja aos nossos olhos feia, a chamada “boa educação” não nos permite que possamos exprimir o nosso desagrado ... mas para uma criança com poucos anos isso não é problema. “Mãe, aquela senhora está cheia de sinais na cara!” ... a criança não disse por mal, apenas falou o que achou. Causa embaraço? Sim, mas o temperamento deles é assim, sem ver a maldade que as suas palavras causam... esse sim, é o temperamento mais peculiar que eu admiro, sem barreiras sociais. 

E assim termina uma crónica onde só o título já fez pensar não só quem o leu como quem o escreveu ... agora estou é cansado porque li a palavra 5 vezes seguidas e começou-me a doer a cabeça. Até à próxima!