"Writing is a socially acceptable form of schizophrenia."
(E.L. Doctorow
)

"Words - so innocent and powerless as they are, as standing in a dictionary, how potent for good and evil they become in the hands of one who knows how to combine them."
(Nathaniel Hawthorne
)

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Portugal Laico

Estou farto! Farto de ouvir “Que Deus te abençoe” para aqui e “Até para o ano, se Deus quiser” para ali.

O meu lar, a minha pátria, gaba-se de ter a denominação de país laico. Contudo, tal estatuto é logo desrespeitado pelos líderes governamentais (Cavaco, para os mais distraídos). A laicização nunca foi algo levado com seriedade em Lisboa e restantes terrenos. Aliás, os próprios portugueses são aquilo que designamos de fanáticos ignorantes.

Peço calma aos meus compatriotas pela generalização, mas que grande parte de nós defende uma religião ou crença em demasia e, simultaneamente, procuramos ignorar e/ou rebaixar e maltratar as restantes ninguém o pode negar. Se não consigo sequer discutir as minhas ideias sobre esta matéria perante elementos da família, imaginem só como será com as almas mais distantes! Ainda assim, as respostas são quase sempre semelhantes:

“Muçulmanos são terroristas que maltratam as mulheres e põem os filhos a treinar para serem igualmente terroristas” – tenho pena de não separarem o trigo do jugo e tratarem todos os seguidores de Maomé como porcos nojentos que merecem ser decapitados um por um.

Já os Protestantes são vistos como um vírus que se tem espalhado, uma doença que ameaça os “bons” costumes dos portugueses. Durante a minha (ainda curta) vida, tive o privilégio de conviver com alguém que me mostrou o quão injusta nossa a opinião tem sido e que a falta de capacidade em nos abrirmos à diferença é deveras impressionante.

Os Judeus são pessoas estranhas, mas o pior são os Ateus! Esses sim, são o diabo em pessoa! Só o diabo diria que não acredita em Deus porque, sendo grande parte dos portugueses uns cristãos leais não pecadores, temos toda a razão em defender com unhas e dentes todas aquelas coisas que vêm naquele livro que a maior parte de nós nunca leu. 

Admitamos, Portugal é um país repleto de ignorantes! Claro que, depois desta afirmação, irei ter mais cuidado quando sair à rua. No entanto, antes de tudo, atribuo aos portugueses uma ignorância não a nível da capacidade intelectual, mas da incapacidade do nosso povo em se abrir e compreender novas ideologias e crenças. Porque não pode o Zé Povinho aproveitar a Aldeia Global na sua vertente mais positiva – a de enriquecer a nossa capacidade intelectual e de nos tornar mais poderosos como seres racionais?

Como uma inocente criança, sonho com o dia em que eu, um normal rapaz que perdeu a capacidade de acreditar numa força divina que nos guia, possa expressar livremente as suas ideias e, com isso, crescer como indivíduo e, se possível, tornar o seu mundo e o daquelas que o rodeiam no verdadeiro paraíso divino.

2 comentários:

Ricardo Caldas disse...

Nem mais. Não diria melhor.

Grande crónica. Simples mas diz tudo. :)

Liliana Pinho disse...

Os portugueses não são ignorantes, são é moralmente atrasados. Uns retrógrados. Muito, por causa da "moral e dos bons costumes" que reinou durante tanto tempo.
Isso vê-se, por exemplo, pela antipatia pelos comunistas, como se ainda fôssemos todos pró-união soviética. Enfim!
Bela crónica, afilhado :)

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