"Writing is a socially acceptable form of schizophrenia."
(E.L. Doctorow
)

"Words - so innocent and powerless as they are, as standing in a dictionary, how potent for good and evil they become in the hands of one who knows how to combine them."
(Nathaniel Hawthorne
)

terça-feira, 27 de agosto de 2013

Não temos de ser a Geração à Rasca

O bom senso é indispensável. A circunspecção idem aspas. Temos de ser coerentes o suficiente para ver que não dá, que por muito que combatemos existem tenacidades que não valem o esforço nem o tempo perdido. É preciso deixar a razão vir à tona, travar o impulso, guardar a hesitação. É necessário esquecer o desejo, olhar a preto e branco e procurar uma saída.
Doravante é imprescindível gostar um pouco mais de nós, desembrulhar de quando em vez as nossas origens e escutar os nossos próprios segredos. No futuro juraremos vida em prol do que amámos, por isso, porque não presentearmo-nos desde já com o nosso dom de jurar? De prometer mares e fundos, e dar o máximo de nós para que lá cheguemos? Sejamos realistas, a maioria não imagina sequer ser capaz de tanto e de tão pouco, talvez por isso, nem valorizem a sua própria palavra; não se honram. Precisamos, portanto, de valores, de causas e de ideais. Todos. Sem excepção.
E a vida é hoje e não amanhã. É hoje que se sonha, que se torna as utopias reais, que se realiza os projectos cheios de pó escondidos no baú, com teias de aranha; está nas nossas mãos o amor, a glória e a esperança. Deixemos lamentações de parte, do mesmo lado que estarão, então, os medos e as injustiças. O amanhã pode já não chegar, e depois?
 
Cronista: Rute Rita Maia

quarta-feira, 14 de agosto de 2013

New Perspective

Porque nem sempre apetece falar de política.
Porque nem sempre apetece falar de futebol.

Porque às vezes a vida também vale a pena ser falada ...

"I feel the salty waves come in

I feel them crash against my skin

And I smile as I respire because I know they'll never win

There's a haze above my TV

That changes everything I see

And maybe if I continue watching

I'll lose the traits that worry me


Can we fast-forward till you go down on me?

Stop there and let me correct it

I wanna live a life from a new perspective

You come along because I love your face

And I'll admire your expensive taste

And who cares divine intervention

I wanna be praised from a new perspective

But leaving now would be a good idea

So catch me up on getting out of here


Taking everything for granted but we still respect the time

We move along with some new passion knowing everything is fine

And I would wait and watch the hours fall in a hundred separate lines

But I regain repose and wonder how I ended up inside


More to the point, I need to show

How much I can come and go

Other plans fell through

And put a heavy load on you

I know there's no more that need be said

When I'm inching through your bed

Take a look around instead and watch me go


It's not fair, just let me perfect it

Don't wanna live a life that was comprehensive

'cause seeing clear would be a bad idea

Now catch me up on getting out of here

So catch me up I'm getting out of here"

quarta-feira, 31 de julho de 2013

O que nós queremos é uma Swap

Quem vê as notícias já percebeu que o que está na moda este Verão são as Swaps. É inevitável, é tão necessário como um livro para levar para a praia ou a tenda para quem vai acampar.

Maria Luís Albuquerque não lançou a moda, mas por ela isto segue por mais uns tempos. E como boa defensora de uma moda que já vem de trás não arreda pé. Afirma que não mentiu à Comissão de Inquérito e insistiu que na pasta de transição nada constava sobre as Swaps e que nunca foi alertada pelo antigo Governo (contrariando Teixeira dos Santos).

Ora como criador do Crónicas venho pedir à senhora Ministra se não faz um jeitinho e nos arranja uma swap. Não precisa de ser muito grande, coisa pouca, que dê para gerir bem, que não seja comilão e que não ladre muito alto por causa dos vizinhos. É para nos entretermos um bocado e assim já nos sentimos mais dentro das notícias. Não nos mande é isso por mail que depois pode ser Spam ... Prometemos que tratamos bem conta dela até nos ordenar para devolvermos o contrato, será bem estimado com todo o nosso carinho.

Li no "Económico" que os contratos swap é como "... no casino. Apostamos no vermelho mas às vezes sai o preto. Há sempre alguém que ganha."
Pois isso é outra coisa que eu gostava que tivesse em conta, que não nos desse um swap meio delinquente pode ser? Tem que ser estável para não andar aí a roer mobília e calçado.


Portanto, queremos uma Swap mas que não seja ligada a bancos nem ao Sporting, pode ser?
Obrigado Sra. Ministra, esperamos pela sua resposta.



segunda-feira, 22 de julho de 2013

Cavaco escolheu a “reconciliação”



Não houve acordo para a Salvação Nacional, a palavra era de Cavaco Silva. Muitos ainda acreditavam na solução de eleições antecipadas, a maneira de o Presidente da República sair por cima quando a sua solução de reunir os partidos falhou redondamente ...

O relógio marcava 20:30h e eis Cavaco e de olhar convicto perante os jornalistas fez o que melhor sabe: engonhou ... falou de tudo e mais alguma coisa mas teimava em não chegar ao ponto que os portugueses mais queriam. Até que  quase 10 minutos depois ele afirma : considero que a melhor solução alternativa é a continuação em funções do atual Governo, com garantias reforçadas de coesão e solidez da coligação partidária até ao final da legislatura”

Ficava quase a ideia do ridículo. Ali estava o Presidente a dar a continuidade a um Governo que semanas antes tinha visto Gaspar e Portas bater com a porta (o último arrependeu-se) e que criou uma crise política. Mas claro que tinha que ter argumentos para defender Passos & Cia ... “Dispondo o Executivo do apoio de uma maioria parlamentar inequívoca, como recentemente se verificou, deve ficar claro, aos olhos dos Portugueses e dos nossos parceiros europeus, que Portugal é um país governável” ... exato, faz todo o sentido, pelo menos a Cavaco. Até porque quem governa neste momento não parece estar de boa saúde. È a segunda chance do casal Passos/Portas que agora têm tudo para reformular a sua equipa e têm que agradecer ao “pai” Cavaco Silva.

Mas (e para finalizar) Cavaco Silva tinha de dar o seu toque. E como? “Por último, quero afirmar aos Portugueses que, se o atual Governo se mantém em plenitude de funções, o Presidente da República nunca abdicará de nenhum dos poderes que a Constituição lhe atribui”. Faz lembrar Santana Lopes que dizia que “andaria por aí” ...

Sinceramente o nosso Presidente da República foi cobarde, teve medo de entregar o poder democrático a quem realmente o tem. O país tem que ser governado primero dentro para depois mostrarmos resultados à Europa e não mostrarmos uma fotografia que tapa o olho da câmara que nos vigia ...

quarta-feira, 3 de julho de 2013

Gaspar e Portas marcaram Passos ...

A política está tão mexida no nosso país que ainda tem mais ingredientes que um cocktail de Verão.

Vamos por partes.
Gaspar saiu primeiro e na sua carta há de tudo um pouco. Queixa-se da falta de coesão do Governo e avisa Pedro Passos Coelho: “Os riscos e desafios dos próximos tempos são enormes. Exigem a coesão do Governo” e reconhece que o falhanço nas metas orçamentais estragou a sua confiança enquanto número dois do Governo. Fala também que esta não é a primeira vez que pede para ser distituido do cargo que ocupava.
Mas uma das melhores partes é quando parece que se sacrifica pelo projecto, como um mártir que já fez o seu trabalho, quando afirma que "é minha firma convicção que a minha saída contribuirá para reforçar a sua liderança e a coesão da equipa governativa” (...) "A minha saída é agora, permito-me repetir, inadiável”.

O que dizer disto? Bem Vítor Gaspar foi o nosso Primeiro-Ministro muito tempo e a sua saída enfraquece o Governo que outrora já tinha perdido Relvas. Pedro Passos Coelho tinha de acertar na escolha a tomar para que o ambiente fosse controlado, para que o pó assentasse depressa ... mas voltou a falhar. Maria Luís Albuquerque foi o nome escolhido e Portas era o nº2 de Passos, pelo menos foi por um dia.

No Domingo Paulo Portas apresentou a demissão porque não concordou com a solução encontrada por Passos para as Finanças, pois, do ponto de vista da simbologia política, a escolha de Maria Luís Albuquerque significou que o Primeiro-Ministro assumiu ele mesmo a pasta das Finanças no plano político, o que desequilibrou o poder dentro da coligação. Aquilo que afirmou ser nem "politicamente sustentável, nem é pessoalmente exigível" faz com que o Governo não só tenha perdido 2 ministros (e dois nº2 ) em 2 dias como põe em causa toda a credibilidade interna e externa que lhe podia restar.

Reina o caos político na mais alta esfera do nosso país. Depois de Miguel Relvas, agora foi Vítor Gaspar e Paulo Portas a abandonar, três "caras" fortes deste Governo de coligação.
E depois de tudo (mesmo após o Presidente da Républica já ter dito que só com moção de censura aprovada em Assembleia é que existirão eleições) os olhos estavam postos no comunicado de Pedro Passos Coelho.

O nosso Primeiro-Ministro foi prontório : "Não me demito. Não abandono o meu país." aquilo que muitos viram como um ataque a Paulo Portas. “Comigo, o país não escolherá o colapso político, económico e social”, afirmou Passos Coelho, sublinhando que o contrário representaria “dois anos de um grande esforço deitados por terra”, “ignorar os sacrifícios” dos portugueses e os sinais de inversão económica que diz começarem a existir ... ou seja, ele é como a banda do Titanic: enquanto o barco se afunda ele continua a tocar a sua música. Passos Coelho parece estar no seu mundo, ainda acreditando naquilo que planeou e que vai falhando em cada etapa e isso aos olhos dos portugueses não mostra nada de bom.

Já se prevêem manifestações e em muitos lados se pedem eleições antecipadas ... o que é mais que certo é que foi nestes dois dias em que Portugal pode muito bem ter visto o início do fim do Governo de Pedro Passos Coelho.

quarta-feira, 26 de junho de 2013

Crónicas em Branco - Jogo do STOP

Aqui fica mais um sketch levado a cabo por cronistas deste espaço.
Daniel Teixeira e Fábio Silva criam assim a partir de um texto da autoria de Frederico Pombares e Henrique Dias.
Disfrutem do "Jogo do STOP".


quinta-feira, 13 de junho de 2013

O valor da “caixa”

É sempre um desafio conseguir saber a verdadeira intenção de uma imagem acompanhada de um texto ditada por um profissional. Não é um de nós, comuns, a ler algo que conhecemos e detemos como verdadeiro. É alguém que já investigou o assunto e que talvez já formou uma opinião camuflada do mesmo. Que intenção terá este ao passá-la para o aparelho que soa em várias divisões? É visível, que no dia seguinte, o espectador manifesta-se, às vezes não espera as 24 horas para ir para um transporte e entrar na personagem “comentador” com o passageiro do lado. O impacto também passa pelas refeições, quando pousamos o garfo para prestar atenção a algo que nos desperta os sentidos. Aí alimentamos a notícia e esperamos que esta desapareça até que surja outra não tão viral. Como se fosse a pirâmide alimentar da primária, do mais importante para o menos. Semelhante ao alinhamento do jornal; à escolha das fontes; à estrutura de poder numa redação. Um dia, na América dos anos 50, um grupo de jornalistas inverteu esta estrutura. A CBS mudava o sentido que sempre dera à televisão. Um pivô passou para o “lado de cá” duas versões diferentes de um caso sufocado de tão encoberto. Por merecer a verdade, a sociedade foi alertada através do relato de crimes contra comunistas que afinal também são “comentadores”. A palavra de um Senador contra o senhor com o cigarro que queima em direto. Esta última figura, segura de si, não teme o preocupado o diretor executivo, a falta de patrocínios e o primeiro poder democrático. Teme sim a intenção dos media. De seu nome Edward Roscoe Murrow, “Ed” na redação, opôs-se pelos direitos civis e consigo levou um grupo de amigos imparciais cuja paixão aliada ao nervosismo evidenciava-se quando estavam “no ar”. Queriam ser os primeiros a desvendar que o meio não só enche os lares de anúncios mas pode também viver da contagiosa informação. Sem tomar partidos, esperaram por críticas até o bar quase fechar. A reação dos espectadores disparou o prazer do trabalho mas a sombra amarga da publicidade fez com que o programa mais tarde terminasse. Contudo, aquele momento em que público presenteou uma investigação ao Senador e o fim de denúncias inusitadas, tornou o dever cumprido. Esta comunidade jornalística, dona de um dialeto próprio em circuito fechado, marcou um período.
Assim, as opiniões acomodam-se em prol do jornal das 20 horas apresentado por um estranho com tamanha postura que nos parece credível.
Afinal o que é a televisão? Um espetáculo de luzes, cores vibrantes e falas persuasivas numa decadência rotineira? Ou, como diria “Ed” em 1958, a televisão pode também ensinar, elucidar e inspirar, desde que os humanos a usem para esse fim?
Toda a exaltação da importância das ideias e da informação continua a jogar com as nossas mentes com o intuito de ganhar e termina quando se ouve um “Boa noite, e boa sorte”.
Filipa Alves

Crónica do filme “Good Night, and Good Luck”